Deixando um pouco de lado o que a
sociedade está acostumada desde que o mundo é mundo e as exceções à regra,
sejam pais ou mães, vamos analisar...
Vi mulheres repetidamente pedindo que
pais dessem mais atenção aos filhos pós separação, (sim ATENÇÃO, não estou
falando de pensão) porque os filhos pediam e cobravam da mãe explicações da
pouca participação do pai em suas vidas, até que um dia um desses homens disse
a ex e mãe de seu filho (filho esse que ele pediu muito a ela): '' A distância
muda o amor'', como mãe aquilo me soou quase impossível de acreditar, sei que
esse é um pai desnaturado e iguais a ele há muitos. Aí eu constatei um pouco
disso quando eu me vi nessa mesma agonia com o pai exemplar que só não deu de
mamar porque não tinha capacidade de produzir leite, ter um comportamento
parecido. Não estou dizendo que ele deixou de sentir esse amor e nem falou uma
barbaridade dessa, pelo contrário é carinhoso, mas a distância com o tempo
mudou um pouco a dedicação. Ao invés de buscar estar o mais presente e
participativo possível, ele se sentiu ''de fora'' e como tem em mente o
pressuposto de que o Filho é mais da Mãe, ele ''se recolheu a sua insignificância''.
Já vi amigos permanecerem em casamentos falidos para não se distanciarem dos
filhos, porque o fim da relação homem e mulher o faz seguir em frente o mais
urgente e no dia a dia filho não combina muito com a nova vida, combina com
alguém tomando conta dele seja a mãe ou a avó, menos ele que não pode deixar de
ir a balada, o castelo (filho+esposa) desmoronou. Mas como pode? Como
pode achar que pagar pensão e brincar um pouquinho faz dele um bom pai? O resto
é com a mãe afirmam muitos. Se eu tivesse que ficar longe da minha cria, eu ia
querer saber tudo que acontecesse com ela, ligaria todos os dias, ia querer
participar da formação dela o mais perto possível. Penso no impacto da
distância para mães que infelizmente deram o filho para adoção, foram
sequestrados ou estão perdidos por aí, essas mulheres não passam um só dia sem
pensar no filho, a dor da mãe é infinitamente maior mesmo naquelas que sabem
que os filhos estão sendo bem criados por outra família. O tempo anestesia o
homem? A mulher é mais sentimental e dramatiza?
Certa vez estava dormindo ao lado do
meu namorado e acordei como se estivesse viajado para outro universo, outro
plano, outro tempo, não lembrava o que tinha acontecido, não sabia onde estava,
nem quem eu era e nem aquele homem ao meu lado, não lembrei de irmãos, nem pai,
nada da minha própria vida, por alguns segundos desesperados sem referências, o
único rosto que veio a mente foi o da minha mãe, só eu e ela, como se eu ainda
estivesse em seu ventre. Retomei a segurança e a consciência, até hoje não sei
o que foi aquilo. Mas senti que esse laço é o mais forte de todos.
Ao engravidar entendi ainda melhor essa
ligação. Do momento que confirmei no exame beta HCG, todos que fui encontrando
ao longo dos nove meses faziam questão de antecipar através de conselhos muitas
vezes óbvios e não solicitados a responsabilidade da gestante e posteriormente
mãe que eu viria me tornar, ''precisa cuidar da alimentação, cuidado para não
cair, não faça isso, não faça aquilo'', fazendo questão de mostrar o peso que
eu iria carregar para o resto da vida. Uma responsabilidade que o pai só vai
conhecer, e nem sempre vivenciar, depois que o serzinho nasce e mesmo assim o
bebê já está ali e não dentro dele como foi com a mulher. Então não, ele nunca
vai sentir isso, um processo bem mais profundo e individual (ela e a barriga).
E quando já estamos acostumando com todo essa mudança vem o parto, a
responsabilidade quase que neurótica buzinada em nossos ouvidos por longos nove
meses poderia ser aliviada ao cortar o cordão umbilical. Não para nos tornar
irresponsáveis, mas para diminuir o peso nos ombros que a sociedade ajuda a
perdurar.
Agora, deixando o lado
emocional/instintivo, voltando aos papéis sociais. Ainda há muito homem
cumprindo a função pai como o macho que leva a caça para a caverna, enquanto se
comportar como um primitivo que apenas perpetua a espécie e não sair dessa
simplicidade existencial nunca vai sentir em sua totalidade a grandeza que a
paternidade tem, se você pai acha que carrega amor suficiente, acredite ele
pode ser ainda maior.
Pensando nos meus traumas de infância
afirmo:
1- Pai e mãe sejam o máximo em presença
e amor, os presentes pouco importam, isso conta para sempre mesmo para adultos
bem sucedidos.
2- Como mãe, Sim! o filho é mais da mãe
(por conta do laço eterno criado durante a gestação, mesmo que depois ele
esqueça), mas ele precisa dos dois em igualdade. Nunca pense ele precisa mais
da mãe do que de mim, mude para: ele precisa tanto quanto.
Irei sempre parabenizar o pai que assumir
esse papel com tanta força quanto uma mãe, pelo simples fato do despertar
humano que atingiu e para sorte dele, ele nunca mais será o mesmo.
Abraços de algodão!

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