Fonte
da Imagem: Foundry
Co por Pixabay
O mundo na internet facilitou o acesso às mentes
pensantes possibilitando o resto do mundo a conhecer seus pensamentos, suas opiniões,
compartilhar conhecimento com total liberdade, muitas das vezes demonstrando ou
contrariando senso de justiça, senso de humor e
bom senso.
Quando vejo alguém compartilhar mensagens
pequenas ou grandes em suas redes sociais, normalmente é sempre um recadinho
pra si ou para alguém conhecido, um amigo, o amor, um vizinho, um dessabor. Eu
mesma já fiz isso.
A frase de hoje em questão é: “É melhor correr
riscos do que viver arrependido de algo que não fez”.
Não é a primeira vez que essa frase aparece como
mensagem de desabafo na tentativa de se autojustificar por atitudes que fez ou
deixou de fazer, ou quem sabe impulsionar o próprio ego esperançoso a se
arriscar mais na vida.
Muitas das frases são como uma faca de dois
gumes, possuindo dois ou mais lados levando a várias interpretações. Assim, com
algumas rápidas histórias dará para entender como o emissor e o receptor assimilam
uma simples mensagem.
1) Um rapaz simples da parte pobre da
cidade, sem maiores recursos e que possui um histórico de crime e prisão em
decorrência de furto, José atiçado por seus colegas correspondentes resolve se
juntar a um grande roubo a banco, sob a justificativa de que o gerente iria
facilitar a ação criminal, afinal, não é todo dia que existe a possibilidade de
ficar rico tão facilmente recebendo uma ajuda desse nível, e “é melhor correr
riscos do que viver arrependido de algo que não fez”. Acontece que José e seus
colegas são flagrados cometendo o delito, presos, e condenados por muitos anos.
Analisemos o enredo... José não assimilou em
hipótese alguma que por já ter sofrido uma pena por crime anteriormente
cometido por ele, nem pensou no sofrimento que foi o tempo em que permaneceu preso,
poderia uma a ação futura ensejar em uma nova penalidade. Nesse caso, correr
risco não seria melhor para ele.
Nessa segunda história, o enredo é um pouco
diferente:
2) Amélia é uma moça recatada e simples que
gosta de coisas simples, além de ser muito bonita. Um dia, conhece Jam, um
rapaz elegante, conhecedor das letras, comunicativo e estudioso. Resolvem
namorar e no decorrer do namoro, ele passa a controlar o seu comportamento,
suas roupas, suas amizades, controla seu celular, e mesmo assim, após um tempo
namorando, resolvem morar juntos para depois decidirem sobre o casamento.
Afinal, é melhor correr riscos do que viver arrependido de algo que não fez. Ao
passar a conviver juntos, tudo piora, ele passa ser violento com Amélia por
causa ciúmes de tudo que a envolve, sua insegurança e desconfiança eram o
suficiente para justificar o comportamento para com a “amada”.
Depois de
dois anos de sofrimento, Amélia toma coragem e resolve sair de casa, pede ajuda
à Justiça e ajuda policial e se instala numa linda casinha próxima a sua mãe. Tudo
era paz, ela havia encontrado um novo amor. Passado alguns meses, e Jam
arrependido do que fez resolve investir novamente na conquista à Amélia se
dizendo ainda apaixonado, sem se importar com o novo parceiro que ela possuía.
Amélia ao se sentir envolvida novamente pelos encantos do antigo “amor”, e
acreditando em sua reabilitação, resolve terminar o relacionamento com o “novo
amor” e dar mais uma chance ao antigo, afinal, a palavra chance existe para ser
dada e é melhor correr riscos do que viver arrependida de algo que não fez.
Com uma nova
chance, o romance está no ar, é eu te amo para todos os lados, presentes e
sorrisos contínuos para enlaçar Amélia. Estava a mil maravilhas, e passados
poucos meses, Jam começa delicadamente a apresentar os sintomas da velha
possessividade. Sem imaginar que estava caindo na mesma armadilha, Amélia vai
cedendo aos caprichos de seu companheiro, deixando de usar aquela blusa, de
falar com aquele vizinho e amigo, relatando minuciosamente o seu caminhar para
seu companheiro. Passados mais alguns meses, ela se percebe no meio da mesma
violência que fez com que ela o deixasse. Arrependida, resolve deixá-lo mais
uma vez, mas dessa vez ele não deixa barato, insere fotos íntimas dela na
internet expondo-a ao ridículo e ao escárnio. O caso vai à polícia, que não se
consegue provar que a ação criminosa partiu dele, e ele sai impune.
Mais uma vez,
ela consegue ir para outra casa, passa um tempo sozinha, e tudo era paz,
consegue arrumar sua vida, novo relacionamento, mas por obra do destino ou por
obra de falta de amor próprio, Amélia cai novamente nos encantos de Jam,
resolvendo novamente perdoá-lo e voltar a morar com o “amado”. Afinal, é melhor
correr riscos do que viver arrependido de algo que não fez. Infelizmente, não
demora muito a acontecer tudo novamente, a violência doméstica volta a ser
parte o cotidiano de Amélia, e dessa vez ela sofre uma lesão na coluna que
resultou em paralisia parcial da coluna por causa da agressão.
Nessa história, Amélia e Jam viviam em uma
relação tóxica com alta falta de confiança, segurança e amor próprio de ambos,
havia histórico de violência, e a frase “é melhor correr riscos do que viver
arrependido de algo que não fez” não seria a melhor opção. A frase para esse
caso é: “é melhor prevenir do que remediar”.
Veja como muda de contexto:
3) Vitor é um
homem de seus 22 anos, ambicioso, estudioso, de bom coração que já tem um
objetivo na vida: “ser um palestrante renomado e conhecido por seu talento”. Um
dia, recebe um convite para conhecer um país longe do seu e participar de um
congresso no qual estaria conhecendo os melhores na área de conhecimento que
almejava trabalhar. Acontece que estava sem recursos suficientes para bancar a
viagem e com um sonho na manga que já era um objetivo de vida, além do mais
tudo estava torcendo a seu favor, assim, resolve cair em campo para angariar os
valores que necessitava para realizar a viagem tão desejada. Afinal, é melhor
correr riscos do que viver arrependido de algo que não fez. Depois de muita
luta e persistência, Vitor consegue realizar a viagem, conhece todos que
precisava conhecer, registra o momento e retorna a seu lar uma nova pessoa.
O relato nos ensina que Vitor tinha um sonho de
vida que o transformou em objetivo, que tudo conspirava a favor. A frase
“é melhor correr risco do que viver arrependido de algo que não fez” é uma
verdadeira esperança, pois
não havia histórico de algum tipo de negatividade ou violência.
Não se pode esquecer, que cada momento de nossa
vida requer uma avaliação para que o aprendizado tome conta de seu próprio espaço.
É essencial que saibamos analisar que tipos de sentimentos e sensações nos
fazem tomar certas atitudes, e dessa forma trazer para o cotidiano um nível de
controle emocional, no mínimo razoável, afim de se evitar que alguém venha a se
machucar. No caso de José e Amélia, a frase “é melhor correr riscos do que
viver arrependido de algo que não fez” não poderia se encaixar, as situações
expostas mostram total despreparo emocional; já na terceira história relatada
nos mostra que correr riscos é essencial para quem quer experiência
profissional, alcançar momentos gloriosos, até mesmo quem está conhecendo um
novo amor. Em todas os relatos, o autoconhecimento e o controle da situação são
essenciais para saber quais decisões devemos tomar.
Amélia, assim que conheceu Jam, e depois resolveu
conviver, já tinha evidências de sua incapacidade de nutrir um amor puro e
seguro, e correr riscos é pedir um resultado desastroso.
Não estamos aqui lidando com apenas um lado da
moeda. É necessário reconhecer como a própria vida se encontra para saber que
tipo de riscos “pensados” devemos correr. Afinal, quem merece a chance de ser
feliz somos nós mesmos.

👏👏👏👏👏👏
ResponderExcluirUau!👏👏
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