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MEU NOME É JOÃO.


Na história de hoje, começo narrando o mundo e a alma de uma pessoa muito peculiar. Sendo quarentão, guarda alguma experiência, e conserva consigo virtudes e defeitos, como todo ser humano. Logo, estarei mostrando um pedacinho de sua alma, em Contos e Encantos. Lembrando que o nome de todo personagem aqui exposto é fictício.

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                                              Fonte da Imagem: Internet



     Certo dia, eu me percebi sentado à beira da minha cama pensando no que vou fazer de minha vida, e como um cinema, as lembranças tomaram conta de minha mente buscando alguma esperança que me fizesse sentir uma só vez o gosto da vitória e do sucesso.

     É... chamo-me João, nasci um pouco mais de quarenta anos atrás, e nasci muito pobre. Imagine um cidadão feio! Imaginou? Então esse sou eu. Pois é, cabeçudo, barrigudo, pálido, pernas finas, mas amado por minha mãe, e aparentemente odiado por meu pai. Sou o primeiro de minha linhagem, o grande primogênito da família, aquele que merecia apanhar primeiro do que os outros irmãos. É... nem sempre ser primogênito é ter vantagem!

     Veja como são as coisas, minha vida é como a curva de Philips, descrita nas ciências econômicas para explicar a inflação, e entre altos e baixos, fui crescendo. Pelo menos, de fome não morri, mas alguma fome já passei.

     Por bastante tempo essa lembrança me corroía, incomodava-me pensar em toda dificuldade de criança que passei com meus pais, mas o que mais me incomodava, era o sentimento relacionado a meu pai que não me deixava viver com liberdade. Um certo ranço, no decorrer do tempo, tomava conta de meu coração, de minha alma. Mas não era à toa, tanto porque eu apanhava por tudo. Era porque o para-brisa do ônibus que estávamos havia quebrado, era porque a saia da vizinha era longa demais, era porque o vento resolveu ir para o lado contrário.

     Não, não era o suficiente, na escola zoavam de mim, eu era muito magro, mas eu tinha algo que muitos não tinham, minha inteligência! Não! Eu não era nerd! Eu gostava de rock pesado, da cor preta, de imagens de caveira, de pulseiras radicais. 

     Claro, descobri muito cedo que fazer o que gostamos é mais prazeroso que assumir responsabilidades, e toda e qualquer oportunidade que aparecesse, eu avaliava se estava do meu agrado.

     Mas, vocês podem dizer, e não é dessa forma que funciona? Só assumimos responsabilidades por situações que nos agradam??? Por óbvio que não! Muito mais do que assumir, é o comprometimento com o trabalho, com o viver e o futuro. E nem sempre a responsabilidade está atrelada ao prazer, e sim, muitas vezes, a apenas à satisfação pessoal de dever cumprido. 

     Eu não tinha isso, eu queria era curtir, então, resolvi seguir minha vocação e apostar em meus sentimentos. Primeiro, pensando que eu havia nascido com a sorte toda ao meu favor e minha escolha seria a melhor do mundo. Resolvi ingressar na faculdade, fiz engenharia, hoje sou doutor, mas não sou completo, e mal exerço.

    Aqui sentado à minha cama, carrego a sensação de que caminhei por estradas desnecessárias, onde as oportunidades que a vida me ofereceu não me favoreceram como profissional, e isso ainda se reflete no hoje.

     Sinto indecisão por escolher qual caminho devo seguir, e um ponto de angústia invade minha alma. Não! Nem sempre é assim! Um dia nasce em mim uma empolgação, um grito de loucura, uma alegria que não sei de onde vem, noutro, parece que o dia existe apena por obrigação, pois ele é vazio.

     Tempo atrás, de tantas vozes conversarem com meu cérebro fazendo com que os sentimentos fluíssem mais que o normal, encontrei-me em depressão! Você sabe o que é estar há cerca de dois anos com uma doença, cujo diagnóstico exige de um profissional habilitado, e a família só sabia dizer que eu era um preguiçoso, e que eu usava essa desculpa para nada fazer?

     O desânimo nesse período fazia parte de meu sangue. Eu queria escuridão, sentimentos e pensamentos ruins conversavam comigo diariamente, até me deixar sem energia, sem forças. E para fugir deles, eu dormia.

     A ignorância, muitas vezes é uma benção, mas nem sempre é assim. Por ignorância, e por querer continuar na ignorância, minha família me tratava como um vagabundo. Mas não a culpo. E sabe o por quê? Hoje, sendo detentora de conhecimento, o mínimo que seja, notei que o comportamento e os pensamentos das pessoas mais próximas a mim se tornaram mais acessíveis, mais dinâmicos, mais alegres, e elas passaram a entender a depressão como doença.

      Foi nesse período de minha vida que descobri que eu posso ajudar a muitas pessoas e a mim a se reerguerem, e resolvi mudar a minha razão de viver.

     Quando me descobri um realizador de sonhos, quando eu descobri que na minha razão de viver podia ser incluída a ajuda ao próximo, passei a notar que a dificuldade e a perda temporária das oportunidades, não mais me incomodavam como antes, e esse sentimento passou a me importunar com menos frequência.

     Sabe, tenho muitos anseios, muitos desejos, e um deles é o sucesso fazendo moradia comigo.

    Enquanto estou sentado à beira de minha cama, noto que as horas se passaram, e a responsabilidade do dia me chama. Não tenho tempo para lamentações, meus três horários ocupados paralisam as lamentações, viver um passado cansativo, triste, faltoso de alimento e de carinhos paternos, ainda é um atraso. Contudo, não posso fugir de minhas lembranças, devo transformá-las em experiências para dias de teste e dias melhores.

     Sim!!! amanhã eu tenho um encontro com inúmeras pessoas, eu devo me preparar.





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